A Lua de Tabriz
Com a maré da manhã surgiu no céu uma lua.
De lá desceu e fitou-me.
Como o falcão que arrebata o pássaro,
essa lua agarrou-me e cruzou o céu.
Quando olhei para mim, já não me vi:
naquela lua meu corpo se tornara,
por graça, sutil como a alma.
Viajei então em estado de alma
e nada mais vi senão a lua,
até que o segredo do saber divino
me foi por inteiro revelado:
as nove esferas celestes fundiram-se na lua
e o vaso do meu ser dissolveu-se inteiro no mar.
Quando o mar quebrou-se em ondas,
a sabedoria divina lançou sua voz ao longe.
Assim tudo ocorreu, assim tudo foi feito.
Logo o mar inundou-se de espumas,
e cada gota de espuma
tomou forma e corpo.
Ao receber o chamado do mar,
cada corpo de espuma se desfez
e tornou-se espírito no oceano.
Sem a majestade de Shams de Tabriz
não se poderia contemplar a lua
nem tornar-se mar.